A Terceira Idade

Relatório da Visita ao Lar Residencial “Colmeia dos Mestres”

Data: 13 de Fevereiro de 2009 
Hora: 12h00m
Local: Expo Norte

   No dia 13 de Fevereiro de 2009, por volta das 12h, deslocámo-nos à sede da Cooperativa de Habitação e Construção “Colmeia”, situada na Alameda dos Oceanos, na zona Expo Norte, onde fomos recebidos pelo Sr. Eng.º Duarte Gonçalves.

   De seguida, este encaminhou-nos a outro edifício onde se encontravam situados o Lar Residencial “Colmeia dos Mestres” e a Creche e Jardim de Infância “Colmeia das Abelhinhas”. Visto o nosso principal objectivo para este projecto se prender com o conhecer a realidade que a terceira idade enfrenta no nosso país, entrámos na “Colmeia dos Mestres” cujas instalações visitámos, aproveitando, ainda, para colocar questões, que complementassem o nosso trabalho, ao Sr. Eng.º.

   Ao entrarmos no lar, deparámo-nos com as duas primeiras divisões: do lado esquerdo, a Sala de Estar; do lado direito, a Sala de Refeições. Na Sala de Estar, os idosos encontravam-se na hora da ginástica que estava a ser dada por um utente do lar que incentivava o restante pessoal a exercitar-se através da elevação dos braços, que seguravam uma bola. Foi nesta sala que nos deparámos, a par com a alegria de ver um utente a auxiliar os restantes, com a primeira dificuldade que, não só o lar em questão, mas a terceira idade na generalidade atravessam: a doença do Alzheimer. Esta doença, que se caracteriza por uma perda progressiva de memória e por uma atrofia generalizada no cérebro do doente, afecta muitos idosos e, nesse aspecto, este lar, com apenas dez utentes, conhece bem essa realidade, tendo sido, na nossa primeira fase da visita, confrontados com uma senhora idosa, que nos foi dito que padecia de Alzheimer, a ser auxiliada por um fisioterapeuta do lar para se deslocar, revelando bastante cansaço físico e dificuldades em raciocinar. Ao mesmo tempo a Sala de Refeições estava a ser preparada para dentro de pouco tempo ser servido o almoço aos utentes e auxiliares, sendo-nos explicada a importância de, nesta fase da vida, se criarem horários a nível da alimentação.

   A visita prosseguiu em direcção à área onde se situam os gabinetes médicos e os quartos dormir. As consultas médicas realizam-se duas vezes por semanas, embora possam ser mais sempre que surge alguma urgência, e os serviços de enfermaria são diários. Tal como tinha acontecido na nossa passagem pela Sala de Estar, também nos deparámos com uma senhora que não conseguia produzir frases com nexo, constituindo uma dificuldade para os auxiliares uma vez que não se conseguem conhecer as reais necessidades das pessoas com doenças do género.

   Nesta fase da visita, com o contacto com o pessoal auxiliar, surgiu a questão sobre as qualificações de quem suporta o bom funcionamento de toda a Instituição. Foi-nos dito que, até à data, não fora necessário recorrer a trabalho voluntário, pelo que todos os técnicos são qualificados e, em alguns casos, com experiência na área. Contudo, não é uma questão a pôr de lado pois é reconhecido, aliás, o empenho e o bom trabalho desenvolvido por voluntários.Ao percorrermos os corredores do lar, fomos reparando como as instalações e a própria construção do espaço foram pensadas em prol das necessidades físicas da terceira idade. Deste modo, é de salientar a existência de rampas, corrimões ao longo das paredes, anti-derrapantes e um fio que percorre vários níveis das divisões para que com qualquer altura e mesmo após uma queda os idosos pudessem accionar o alarme de emergência. Por outro lado, todas estas excelentes condições reflectem-se um pouco na mensalidade do lar, que nos foi dito de início ser direccionado para uma classe média/alta: 1600€ para pessoas autónomas; 2000€ para pessoas dependentes de uma maior atenção e auxílio.

   Visitámos então os quartos de dormir, que podem ser de casal, individual ou duplo, todos complementados com casa de banho com polibã sem degrau, adaptado às possíveis dificuldades físicas.

    É importante salientar as questões legais a que o lar obedece. Por um lado, o almoço colectivo com os familiares dos utentes nas épocas festivas, o horário de visitas alargado de 24 horas por dia e a possibilidade de saírem do lar sempre que queiram ou sob a autorização de um tutor, medidas que acabam por amenizar o facto de as pessoas, geralmente, não frequentarem uma instituição de apoio à terceira idade por vontade própria mas sim por influência familiar. Por outro lado, há medidas a nível de funcionamento do lar e dos recursos humanos que este dispõe, com as actividades em grupo protagonizadas por um animador sociocultural.

   Na fase final da visita, passámos pela Sala do Jardim espaço que, com acesso a um terraço exterior, simboliza um espaço de entretenimento e convívio entre os utentes com a existência de diversos cadeirões e uma mesa de jogos.

   Foi nesta última sala que nos foi dado a conhecer um outro lado social da “Colmeia dos Mestres”, no sentido de interacção com outras entidades e restantes instituições da Cooperativa, como o contacto entre os idosos e as crianças na festa de Natal. Foi projectado ainda, em parceria com um instituto que visa o desenvolvimento do emprego, a promoção de emprego a jovens com limitações visuais que, embora não os tornem inválidos de exercer certas funções, como fisioterapia, teriam dificuldades em relação à oferta de emprego por parte de outras entidades.


   Por curiosidade do grupo, visitámos as instalações da “Colmeia das Abelhinhas”, onde acabámos por almoçar a convite do Sr. Eng.º Duarte Gonçalves, aproveitando para fazer uma pequena entrevista que tínhamos preparado.

   Foi uma manhã bem passada e embora saibamos que, infelizmente, nem todas as instituições prestam o devido apoio que lhes compete à terceira idade, pudemos ser testemunhas do bom trabalho desenvolvido pela Cooperativa de Habitação e Construção “Colmeia”, a ver pelas instalações do seu lar e pelo próprio bem-estar e contentamento visíveis nos próprios utentes.

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